Por um sindicalismo galego, classista, anticapitalista, democrático e combativo
Introduçom
Embora
existam núcleos sindicais de recente constituiçom cuja evoluçom teremos
que seguir com atençom, e setores operários à margem das siglas da CIG e
a CUT, a dia de hoje o sindicalismo galego está configurado
principalmente por estas duas centrais.
A
Confederaçom Intersindical Galega (CIG) nasceu com o intuito de ser um
sindicato de classe no que se combina a defesa da soberania nacional com
a auto-organizaçom de trabalhadoras e trabalhadores.
Fruto
da maduraçom de um longo percurso da auto-organizaçom obreira no nosso
País, que arranca com as suas primeiras experiências organizativas na
década de setenta do século passado, a CIG logrou dotar-se de um perfil
que a diferencia claramente das organizaçons sindicais espanholas de
prática pactista, convertendo-se num referente para os setores da classe
obreira galega mais conscientizados.
Resulta
evidente que a coerência demonstrada com a tradiçom histórica do
sindicalismo galego, evitando ter assinado qualquer pacto ou acordo
social com o Estado ou os representantes da burguesia, tem contribuído a
traçar umha clara linha divisória entre a CIG e o sindicalismo amarelo
que praticam CCOO e UGT.
Mas
a CIG, vive hoje imersa num processo de aggiornamento, que vai parelho
ao deterioramento da democracia e o pluralismo no seio da central.
O
cada vez mais evidente submetimento da CIG aos ritmos e necessidades do
sindicalismo oficial espanhol e o gradual abandono de posiçons
combativas, tem acompanhado umha desvirtualizaçom da prática do debate
político e ideológico, subtituído por umha batalha cainita para o
reparto de postos nos organismo de direçom, que só provocam desgaste e
desilusom entre amplos setores da filiaçom. As novidades organizativas
introduzidas no último Congresso Nacional de junho de 2009, após um
processo pré-congressual ao qual a grande maioria da filiaçom deu as
costas, incidem nesta linha, intensificando o controlo da central por
parte do setor maioritário da direçom e reduzindo à expressom mais
simples os espaços de auto-organizaçom ainda existentes.
Fôrom
muitos os elementos que atuárom para que a CIG chegasse à realidade que
vive hoje. Alguns deles, som próprios e conseqüência direta do contexto
no que agimos que, há que reconhecê-lo, é subjetivamente desfavorável
para o exercício de um sindicalismo de prática combativa. A ofensiva do
Capital que se traduziu num imparável deterioramento das condiçons de
vida da classe trabalhadora, um permanente corte dos nossos direitos, a
aplicaçom de umha nova organizaçom do trabalho e a esmagadora hegemonia
dos valores do Capital entre @s trabalhadoras e trabalhadores, som
factores que dificultam enormemente a atuaçom sindical coerente e
consequente.
A
camaleónica transformaçom que hoje se está operando sobre a identidade
histórica da CIG também tem muito a ver com elementos que sim estám
submetidos ao controlo d@s que fazemos parte da central. A linha
timorata da direçom é quem conduziu a central à atual prática,
aproximando-se cada vez mais às formas de agir do sindicalismo
liquidacionista espanhol.
É
hora de organizarmos umha corrente que contribua para frear o processo
de perda de pluralidade e do deterioramento da democracia interna, para
evitarmos que a central siga deslocando-se a práticas conciliadoras
enquanto paradoxalmente mantém posiçons aparentemente avançadas; para
pararmos a burocratizaçom abafante que impossibilita a participaçom
direta da filiaçom na tomada das decisons, evitando que seja substituída
por um aparelho funcionarial com necessidades e objetivos alheios aos
da classe operária. Há que fazer frente a adulteraçom dos princípios e
submetimento às necessidades eleitorais de qualquer partido político
para evitar situaçons como a que atualmente provoca a dependência do
BNG.
Pola
sua parte a CUT, umha década depois da sua constituiçom como cisom da
CIG nom atingiu a imensa maioria dos objetivos que perseguia. Embora
logrou umha modesta expansom mais alá do núcleo inicial, a linha imposta
pola FPG tem dificultado avançar e lograr referencialidade entre mais
setores combativos da classe operária desiludidos com a prática da CIG.
Atualmente, após a depuraçom a que se viu submetida no IV Congresso
(novembro 2009), que reduziu ainda mais a pluralidade na sua composiçom
interna, manifesta maior vitalidade e capacidade de iniciativa, mas
também umha preocupante incapacidade de mobilizaçom.
No
referente a luita nacional e na política de alianças, a política
estratégica de pactos com o sindicalismo espanhol de matriz anarquista
entra em flagrante contradiçom com as suas corretas críticas ao
timoratismo da direçom da CIG.
Porém no seu seio estám integrados setores do proletariado galego mais avançado.
A
vontade de resistência que se exprimiu na maciça resposta da classe
obreira galega à reforma laboral e ao pacote de medidas neoliberais do
PSOE na greve geral de 29 de setembro de 2010 e posteriormente de 27 de
janeiro de 2011, é a melhor prova da urgência para, dumha vez por todas,
pôr-se maos a obra e organizar, de posiçons revolucionárias, aos
setores de trabalhadoras e trabalhadores críticos com o abandono dos
princípios históricos do sindicalismo nacional e de classe. Mas também
para lograr a incorporaçom de novos métodos de intervençom, de
organizaçom e de luita, de reivindicaçons, nalguns casos alheias à
cultura hegemónica do sindicalismo galego, e a superaçom das erróneas
estrategias interclassistas que tenhem contribuído a esterilizar as
enormes potencialidades do sindicalismo galego.
Contexto internacional e nacional
A
atual crise do capitalismo a nível mundial é estrutural, prolongada e
profunda. Os efeitos já som visíveis entre o conjunto da classe obreira
galega. A ofensiva da burguesia a escala internacional contra o mundo do
Trabalho traduz-se no corte dos nossos direitos, conquistas e
liberdades, na perda de poder aquisitivo e empobrecimento, e na
imposiçom de umha mais dura disciplina entre os contingentes operários.
Frente
as demagógicas alternativas das diversas variantes do reformismo, dos
populismos e das fórmulas mais autoritárias promovidas polas fraçons
mais reacionárias da burguesia, a gravidade de umha crise sistémica
atravessada por um conjunto de crises paralelas na esfera ecológica,
energética e alimentar, deixa cada vez mais claro a impossibilidade de
reforma do capitalismo senil.
Porém
sem a resistência, organizaçom e luita do proletariado a ofensiva da
burguesia irá paulatinamente golpeando na nossa classe com objetivo de
submetê-la a umha extenuante derrota que impossibilite em décadas a sua
recuperaçom.
Só
assim poderemos parar e posteriormente derrotar a incontrolável
voracidade de um Capital necessitado de mais sobre-exploraçom da classe
trabalhadora, dos povos e das mulheres para manter as formidáveis taxas
de ganho e de acumulaçom atingidas nas últimas décadas. A militarizaçom e
o controlo social incrementarám-se paralelamente ao aumento da
consciência e das resistências populares.
Frente
ao caos que se avizinha e deslumbra no horizonte desta crise sistémica
agora só há umha alternativa viável, umha saída estratégica possível e
favorável ao mundo do Trabalho. Nom vai vir da mao da alternáncia
política de maiorias eleitorais das esquerdas complexadas e inofensivas,
nem de exercícios rituais de luitas controladas e ordenadas polos
velhos sindicatos pactistas e corruptos. Para que a necessária saída
política de caráter revolucionário se incline favoravelmente do lado das
oprimidas e explorados há que reorganizar o movimento obreiro. Só assim
conseguiremos que as explosons sociais, as luitas obreiras, nom fiquem
em meras revoltas sem direçom nem orientaçom emancipadora e integral.
A
situaçom assemelha umha ola a pressom com mais e mais carga. E do
trabalho prévio para avivar no proletariado a sua essência digna e
solidária dependerá o sucesso desse estouro cônscio para esnaquiçar a
opressom das minorias capitalistas e desideologizadoras,
desculturizadoras, e construir um outro país para e por nós próprias.
Grécia
marcou qual deve ser o caminho a seguir. Mas o dano provocado no cerne
mais profundo da consciência operária pola efémera vitória do
imperialismo sobre os modelos que durante décadas fôrom ensaiados em
diversas latitudes planetárias ainda é umha lousa com excessivo peso
para remexer com facilidade. Vinte anos depois dificultam a penetraçom
do sindicalismo de classe integrado em projetos revolucionários, o
necessário desmascaramento dos modelos entreguistas e claudicantes que
agora de forma oportunista maquilham e repintam de vermelho o seu
discurso para evitar ser devorados no ressurgir do fragor da luita de
classes.
Galiza
tem assistido nos últimos anos a importantes greves operárias em
setores estratégicos do nosso proletariado fabril. Porém a imensa
totalidade destes conflitos, -que englobárom nalguns casos milhares de
trabalhadores e trabalhadoras-, saldárom-se com reveses que, chovendo
sobre molhado, tam só vinhérom a aprofundar nas posiçons derrotistas e
na extensom da frustraçom que se alimenta do individualismo e o
cepticismo, afastando as virtualidades de mudanças colectivas.
Numha
errónea e fraudulenta linha sindical que desconfia da classe obreira
mobilizada, e teme a democracia obreira, há que procurar as causas da
derrota do setor metalúrgico do sul da Galiza e as conseqüências
nefastas que isto provocou à hora de inocular derrotismo e a condiçons
para a restauraçom das condiçons laborais anteriores a 2007. A burguesia
logrou evitar umha vitória num dos núcleos fundamentais da vanguarda
proletária galega impedindo assim a extensom do seu exemplo entre outros
sectores, facilitando deste jeito a implementaçom sem resistências nem
mobilizaçons do pacote de medidas que posteriormente o governo PSOE
aprovou com a reforma laboral de Zapatero.
A
imponente demostraçom da jornada de greve geral de 29 de setembro, e em
menor medida a de 27 de janeiro de 2011, é a prova de que a classe
obreira nom está nem muito menos derrotada. Ainda apesar do enorme
descrédito das organizaçons convocantes, principalmente de CCOO e UGT,
mas também em menor medida da CIG, a greve geral obtivo um maciço
seguimento e deve ser aproveitado para superar o modelo sindical
conciliador e antidemocrático estimulando umha alternativa
revolucionária e assemblear.
A
proletarizaçom que a morfologia de classes galega vem experimentando na
última década, após o traumático desmantelamento do setor primário
derivada das políticas impostas polo imperialismo, facilita
objetivamente a necessária reorganizaçom operária, mas nom garante a
vertebraçom de um novo referente de luita e combate com projeçom de
massas entre os novos setores juvenis que em condiçons estremadamente
precárias se venhem incorporando ao mundo laboral.
Para
o sucesso das luitas há que dar passos firmes na sua coordenaçom a
nível supranacional. A luita de classes na suas primeiras fases
inicialmente dá-se a escala nacional. A auto-organizaçom da classe
obreira galega em forças próprias é um princípio indiscutível, um dos
sinais de identidade do sindicalismo nacional. Galiza é umha naçom e
portanto na formaçom social galega é onde tem lugar o combate contra o
Capital. Mas frente a ofensivas globais as respostas também devem ser
globais, adequando-as às caraterísticas e particularidades de cada
formaçom social. Historicamente o movimento obreiro nasceu como um
movimento internacional e internacionalista. Hoje deve seguir sendo
assim.
Sem
partirmos da premissa indiscutível de que a crise deve ser
exclusivamente paga polo Capital, nom é viável acumular forças
combativas que, simultaneamente à abertura de umha nova dinámica de
luita, também provoquem a erosom da capacidade de manobra das direcçons
pactistas do sindicalismo hegemónico. Quebrá-las é determinante para que
o proletariado organizado logre recuperar-se como sujeito histórico da
necessária mudança, disputando a hegemonia da dominaçom burguesa.
Crise do sindicalismo. A institucionalizaçom e burocratizaçom do facto sindical
Nom
é qualquer novidade afirmar que o processo de transformaçom do regime
político do Estado espanhol, para passar de um modelo ditatorial ao
atual de democracia formal, se artelhou a través de negociaçons e pactos
entre os setores políticos e sociais que apoiavam a ditadura e umha
parte da oposiçom antifranquista.
As
condiçons sob as que se desenvolvêrom estes pactos fôrom as da ameaça
permanente do golpismo militar e as apetitosas ofertas de integraçom no
sistema face os setores mais reformistas da oposiçom para que traíssem
os seus programas históricos e legitimassem à monarquia herdeira do
franquismo. Esta política de pau e cenoura foi a que facilitou um
cenário que levou, com os seus altos e baixos, à estabilizaçom dum
sistema político que dura até os nossos dias.
No
plano sindical, a política de ameaça e conciliaçom frutificou na
assinatura dos famosos Pactos da Moncloa. Uns acordos estabelecidos a
diferentes níveis entre diversas forças políticas, económicas e
sindicais, para pacificar o cenário político-social sobre o que se ia
construir o novo sistema político emanado da constituiçom do 1978.
A
grandes traços, o acordado nesses pactos foi o desenho dum cenário de
pax social no que as forças sindicais implicadas garantiam umha atitude
conciliadora e de moderaçom reivindicativa, como foi o estabelecimento
do tope de 5% nos incrementos salariais anuais, em troca dum
reconhecimento explícito da sua entidade como agentes nas negociaçons
coletivas e como interlocutores de primeiro nível com o Estado.
A
evoluçom do sistema sindical artelhado nos pactos da Transiçom adquiriu
umha dinámica perversa enquanto, em troca do favor da legitimaçom do
regime, as forças sindicais que atingírom maior representatividade
passárom a receber prebendas e um trato de favor que paulatinamente as
foi convertendo, nalguns aspectos, numha extensom do próprio aparelho do
Estado.
Os
subsídios por representatividade ou as concedidas pola gestom da
formaçom profissional fôrom os meios através dos quais o aparelho
estatal conseguiu controlar as finanças das grandes centrais sindicais,
mesmo daquelas que questionassem a lógica dos Pactos da Moncloa, e o
modo em que se favoreceu a esclerotizaçom e burocratizaçom dos seus
aparelhos organizativos.
Aliás,
as sucessivas traiçons e grandes derrotas do movimento sindical ao
longo das décadas de 80 e 90 fôrom modificando a percepçom social da
funcionalidade das organizaçons sindicais.
Se
ao longo das duas últimas décadas da ditadura o movimento sindical de
oposiçom emergia vitorioso de grandes greves e confrontos laborais
artelhados na clandestinidade, durante o período democrático o movimento
nom fijo mais que recuar na defesa das conquistas estratégicas.
A
classe operária, que com anterioridade via ao sindicato como umha
ferramenta útil na luita pola conquista de direitos, passou a
percebê-lo, no melhor dos casos, como umha trincheira de resistência na
que se refugiar para que a derrota fosse o mais leve possível. Mas o
realmente terrível nom foi esta mudança na percepçom, senom a mudança na
própria dinámica de relacionamento d@s trabalhadores/as com a estrutura
sindical.
O
modelo de sindicato de luita próprio do período do tardo-franquismo, no
qual os operários e operárias participavam para reivindicar melhoras,
passou a se converter no sindicato de serviços que basicamente serve
para ter cobertura e assessoramento legal, assim como formaçom
subsidiada.
A
injeçom de dinheiro procedente do Estado, que atingiu umhas dimensons
obscenas, favoreceu esta transformaçom ao facilitar a profissionalizaçom
até o extremo do aparelho organizativo do sindicato. Deste jeito os
sindicatos enchêrom as suas estruturas de liberados, administrativos e
pessoal laboral de todo tipo, ao tempo que a participaçom da filiaçom
foi reduzida ao mínimo. Construírom-se assim as imensas maquinarias
sindicais que hoje conhecemos, nas quais a filiaçom integrada polos
trabalhadores e trabalhadoras cumpre o papel de clientes dos serviços
que oferece o sindicato. Esta lógica perversa atinge nom só às duas
grandes centrais espanholas, UGT e CCOO, senom que também é perceptível
na CIG.
A
mudança deste modelo resulta extremadamente complexa enquanto quem se
beneficia nom é só o patronato, que pode viver com tranquilidade com uns
sindicatos completamente amansados, senom as próprias burocracias
sindicais que figérom dele o seu meio de vida. Logicamente a
continuidade das injeçons maciças de dinheiro dependem da docilidade que
mostrem os sindicatos, polo que nom é de estranhar que a adoçom dumha
praxe mais combativa tenha dentro da própria burocracia sindical um dos
seus principais entraves.
Porém,
a própria evoluçom deste modelo sindical mostra onde estám os seus
limites e indica quais som as vias para a sua superaçom. A degeneraçom
dos sindicatos integrados na lógica sistémica reduz a marchas forçadas a
sua legitimidade como representantes da classe operária, umha evoluçom
que já foi percebida polo patronato.
Assim,
a cada momento agudizam-se os intentos por parte das organizaçons
empresariais para restringir as prebendas das organizaçons sindicais
integradas no sistema, num movimento acelerado polas limitaçons e cortes
económicos derivados da crise económica atual. Nesta lógica é onde há
que situar os ataques às centrais sindicais dirigidos pola imprensa da
direita e a extrema-direita espanhola e as reivindicaçons das
organizaçons patronais para limitar o alcance da cobertura dos convénios
coletivos, um autêntico míssil dirigido a minar a capacidade de pressom
das grandes centrais.
Neste
contexto dam-se as condiçons favoráveis para possibilitar dar um golpe
de leme que corrija as derivas burocratistas das centrais onde trabalha a
nossa corrente, porém nom se trata dum trabalho para nada fácil. As
inércias de décadas e as resistências de centos de pessoas que tenhem na
atividade sindical burocrática a sua fonte de subsistência apresentam
umhas dificuldades evidentes para a correçom.
Umha necessária caracterizaçom do Movimento Obreiro Galego
O
processo de conformaçom do movimento obreiro galego é longo e demorado,
respondendo às condiçons objetivas da classe operária no nosso País.
Umha classe numericamente reduzida que só pode favorecer umhas condiçons
para criar um movimento sindical enquanto atinge uns mínimos de
expansom, situaçom que na Galiza nom se produz até a última década do
XIX.
Se
bem é certo que nom podemos falar de um Movimento Operário Galego, isto
é, que assuma conscientemente a realidade nacional galega, até o último
quartel do século XX, o certo é que a particularidade da situaçom
socioeconómica da Galiza como área periférica no desenvolvimento
capitalista caraterizou com traços particulares o movimento operário do
País desde as suas primeiras etapas. Mas nom seria até a década de 70
‒no contexto de umha dura crise económica e no meio de umha espiral de
continuados conflitos laborais que golpeiam umha e outra vez a um regime
ditatorial ferido de morte‒ na que germolariam as primeiras expressons
do Movimento Operário Galego, que por vez primeira assumirá de um jeito
consciente as particularidades nacionais da formaçom social galega.
Assistimos
a um momento crucial na história do sindicalismo galego. O setor que
hoje detenta a maioria aritmética nos organismos de direçom da CIG,
acelerou e intensificou a liquidaçom de toda umha trajetória de
combatividade, de sindicalismo de classe, de democracia obreira,
organizado por trabalhadoras e trabalhadores galeg@s para Galiza.
A
CIG está imersa em um processo de burocratizaçom e institucionalizaçom,
que tem provocado o abandono gradual da prática da açom sindical de rua
para mimetizar-se com a prática dos sindicatos oficiais.
A
burocratizaçom é um fenómeno estrutural que afeta ao movimento sindical
a escala mundial. Sem deixar de reconhecer as bases objetivas de tal
processo, que principalmente descansam sobre as mudanças sofridas na
realidade do capitalismo que sofremos e sobre a institucionalizaçom da
atividade dos sindicatos, especialmente relevante no Estado espanhol,
também devemos assinalar as enormes responsabilidades de quem detenta a
direçom da central.
A
cooptaçom da CIG polo jogo institucional, parelho ao abandono dos seus
sinais de identidade históricos, é hoje mais evidente do que nunca e
responde a umha decisom política de abandonar definitivamente o perfil
do sindicalismo nascido em chaves ruturistas. A aceitaçom fetichista da
lógica da negociaçom coletiva entre "agentes sociais", a conversom da
central em umha gigantesca assessoria jurídica, os cada vez mais
estendidos complexos para superar os limites que nos impom umha
legislaçom desenhada contra os interesses obreiros ou o crescente peso
do FORGA na estrutura do sindicato, som prova da oportunista adataçom
que, ao gosto do Estado e o patronato, estám operando na CIG.
A
direçom da CIG está submetendo-se, entregando-se com armas e bagagens, à
lógica dos Pactos da Moncloa, com décadas de atraso sobre o tránsito
face postulados inofensivos implementado polo sindicalismo espanhol.
O
sindicalismo de classe nom pode ser financiado polos inimigos do
proletariado e da classe trabalhadora. A autonomia financeira é um
princípio indiscutível, é a linha divisória entre dous modelos
antagónicos de sindicalismo: o pactista e o classista. Nom só é umha
fonte de burocratizaçom, de alimentaçom de corruptas aristocracias
obreiras, é também a causa das práticas conciliadoras e pactistas, de
direçons sindicais subornadas com astronómicos salários, recursos,
privilégios e reconhecimento social polos meios do sistema. É um dos
cancros que corrói o sindicalismo, desprestigiando-o entre cada vez
maiores setores operários.
O
crescimento organizativo do sindicato tem sido acompanhado por umha
perda de protagonismo da filiaçom. @ trabalhador/a comprometido com o
projeto, foi cedendo espaço à figura d@ liberad@ e d@ delegad@ em horas
sindicais, que suplanta a participaçom do conjunto da classe organizada
na central por profissionais do sindicato.
É
evidente que numha estrutura da magnitude que hoje atingiu a CIG, com
mais de sessenta mil filiad@s, seria inviável sem a existência de
companheir@s remunerad@s às tarefas, muitas vezes ingratas, do trabalho
sindical.
É
preciso aproveitar as vantagens de contar com centenas de delegadas e
delegados para fortalecer e possibilitar mobilizaçons e as mais diversas
iniciativas. O que há que pôr em questom é a ausência de controlo pola
filiaçom das funçons d@s liberad@s, das suas práticas antagónicas com as
responsabilidades inerentes. O igualitarismo salarial e a rotacom de
cargos som mecanismos imprescindíveis para contra-arrestar a
burocratizaçom.
Nom
é viável construir umha ferramenta operária de organizaçom, luita e
mobilizaçom, de combate contra o Capital sem que esta descanse sobre a
própria classe. Sem integrar a centenas de homens e mulheres
comprometidas na luita polos interesses da nossa classe, para além das
particulares e legítimas reivindicaçons concretas do seu posto de
trabalho, o sindicalismo acaba sendo um ente alheio à própria classe
trabalhadora.
Por
parte da direçom do sindicato, nom só nom se promove a implicaçom do
conjunto da filiaçom, senom que se aposta pola sua exclusom na
orientaçom e tarefas da central, apoiando-se na mansa e obediente rede
de liberad@s que, a sua vez, descansa basicamente sobre @s delegad@s,
dominando em muitos casos até extremos abafantes os órgaos de direçom.
Isto provoca enormes défices democráticos, ao substituir a participaçom
da classe operária pola burocracia e, simultaneamente, dificulta elevar o
nível de consciência de milhares de trabalhadores e trabalhadoras cuja
ligaçom com a CIG se circunscreve a pagarem umha quota, receberem o
jornal e participarem esporadicamente em algumha mobilizaçom ou ato,
quando som requerid@s.
A
classe trabalhadora organizada na CIG tem que ser a espinhal dorsal do
projeto, nom pode ser substituída por uma mastodôntica rede de
liberad@s, muit@s d@s quais nem procedem do mundo do Trabalho.
O
debate político e ideológico foi substituído por umha vulgar e
esgotadora batalha entre listas de candidat@s para lograr maiorias e
representaçons nos órgaos de direçom. A praticamente nula participaçom
da filiaçom e a ausência do mais mínimo interesse polo que se debate,
som as notas mais destacadas dos sucessivos processos congressuais, seja
federal ou confederal, comarcal ou nacional. Prova deste desleixo pola
coerência e açom política é o distanciamento das luitas agrárias que se
tem produzido neste último ano por parte das estruturas da organizaçom.
Os
enormes recursos financeiros e humanos que se destinam a elaboraçom de
interessantes materiais de divulgaçom apodrecem nos estantes dos
distintos locais pola inexistência da mais mínima preocupaçom por elevar
a formaçom e consciência da filiaçom, que na maioria dos casos, mantém a
ligaçom com o sindicato pola assessoria jurídica e os cursos vinculados
à formaçom profissional.
A
burocracia que detenta a direçom do sindicato, longe de trabalhar para
evitá-lo, fomenta-o para assim perpetuar-se no poder mais comodamente.
A
pluralidade ideológica do movimento operário foi umha dos seus
principais sinais de identidade e garantia do papel decisivo que jogou
nas últimas décadas. Hoje a pluralidade ideológica recolhida nos
Estatutos é um princípio que nom passa na maioria dos casos de pura
retórica.
O
controlo que hoje exerce a chamada "maioria sindical" é mais abafante
do que nunca. A cisom que dita corrente sofreu entre o IV e o V
Congresso que, semelhou, ameaçava a sua hegemonia, foi um espelhismo. As
distintas identidades políticas e ideológicas que enriqueciam a CIG,
fôrom ficando no caminho, por incapacidade algumhas, cooptadas outras, e
também esmagadas polo maquinaria da burocracia que detenta a direçom do
sindicato.
A
vergonhante passividade mantida frente às medidas neoliberais aplicadas
polo PSOE e polo BNG quando governárom a Junta som prova suficiente do
submetimento da CIG à lógica e interesses eleitorais do autonomismo.
Durante
quatro anos de bipartido a CIG nom passou de emitir comunicados
críticos, amagar com mobilizaçons nunca realizadas, promover propostas
sem acompanhá-las de pressom social, em definitiva, fogos de artifício,
fraudulentos disparos de casquilhos vazios.
Embora
houvo questionamentos e iniciativas que prognosticavam um afastamento e
até rutura com a política neoliberal e espanholista do governo
PSOE-BNG, nunca passou de ser umha manobra de distraçom de umha direçom
sindical comprometida organicamente com umhas das forças que conformavam
o governo de Tourinho e Quintana.
A
CIG nunca apostou por confrontar um governo que considerava amigo, como
a UGT e CCOO nom pretendem desgastar o governo espanhol de Zapatero.
Embora
nom assinou o pacto social autonómico, sim participou no depreciávell
acordo com o PP, BNG, CEG, CCOO e UGT a prol da fusom das caixas de
aforro galegas. Este tipo de vergonhentos acordos interclassistas com os
inimigos do proletariado e a classe obreira galegas nom só geram
confusionismo na nossa classe, exprimem a política pactista de umha
direçom que nom acredita na força da nossa classe e na nossa capacidade
de emancipaçom.
É mera questom de tempo que a CIG acabe aderindo aos pactos sociais que o BNG ampara.
Ausência
de relevo geracional e a escassa participaçom das mulheres em postos de
responsabilidade da central, som dous dos problemas mais evidentes
provocados pola negativa da direçom da CIG a habilitar necessários
espaços de auto-organizaçom para a filiaçom.
Se
na década de 70 foi principalmente a juventude operária quem pujo as
bases do projeto em que hoje participamos, atualmente constatamos as
enormes dificuldades para incorporar a mocidade ao trabalho sindical. A
CIG, independentemente das dificuldades objetivas que supom intervir
entre um segmento com tam baixa consciência de classe e muito influído
por condutas alienantes, segue sem investir os esforços e energias
necessárias para organizar a juventude operária no sindicato, como
tampouco promove no seu interior a necessária renovaçom de estruturas,
promovendo quadros sindicais e responsabilidades entre a juventude
atualmente enquadrada no seu seio.
O
mesmo acontece com as dificuldades para que as trabalhadoras assumam
responsabilidades no interior da CIG. O número de companheiras que a dia
de hoje fai parte da direçom do sindicato é claramente inferior a 38%
de mulheres filiadas atualmente na CIG. As sucessivas reformas operadas
na estrutura organizativa para regular a presença da mulher nos
organismos, assim como espaços para a auto-organizaçom feminina, tenhem
demonstrado ser claramente insuficientes.