Documentos fundacionais

Por um sindicalismo galego, classista, anticapitalista, democrático e combativo

Introduçom
Embora existam núcleos sindicais de recente constituiçom cuja evoluçom teremos que seguir com atençom, e setores operários à margem das siglas da CIG e a CUT, a dia de hoje o sindicalismo galego está configurado principalmente por estas duas centrais.

A Confederaçom Intersindical Galega (CIG) nasceu com o intuito de ser um sindicato de classe no que se combina a defesa da soberania nacional com a auto-organizaçom de trabalhadoras e trabalhadores.
Fruto da maduraçom de um longo percurso da auto-organizaçom obreira no nosso País, que arranca com as suas primeiras experiências organizativas na década de setenta do século passado, a CIG logrou dotar-se de um perfil que a diferencia claramente das organizaçons sindicais espanholas de prática pactista, convertendo-se num referente para os setores da classe obreira galega mais conscientizados.
Resulta evidente que a coerência demonstrada com a tradiçom histórica do sindicalismo galego, evitando ter assinado qualquer pacto ou acordo social com o Estado ou os representantes da burguesia, tem contribuído a traçar umha clara linha divisória entre a CIG e o sindicalismo amarelo que praticam CCOO e UGT.

Mas a CIG, vive hoje imersa num processo de aggiornamento, que vai parelho ao deterioramento da democracia e o pluralismo no seio da central.
O cada vez mais evidente submetimento da CIG aos ritmos e necessidades do sindicalismo oficial espanhol e o gradual abandono de posiçons combativas, tem acompanhado umha desvirtualizaçom da prática do debate político e ideológico, subtituído por umha batalha cainita para o reparto de postos nos organismo de direçom, que só provocam desgaste e desilusom entre amplos setores da filiaçom. As novidades organizativas introduzidas no último Congresso Nacional de junho de 2009, após um processo pré-congressual ao qual a grande maioria da filiaçom deu as costas, incidem nesta linha, intensificando o controlo da central por parte do setor maioritário da direçom e reduzindo à expressom mais simples os espaços de auto-organizaçom ainda existentes.

Fôrom muitos os elementos que atuárom para que a CIG chegasse à realidade que vive hoje. Alguns deles, som próprios e conseqüência direta do contexto no que agimos que, há que reconhecê-lo, é subjetivamente desfavorável para o exercício de um sindicalismo de prática combativa. A ofensiva do Capital que se traduziu num imparável deterioramento das condiçons de vida da classe trabalhadora, um permanente corte dos nossos direitos, a aplicaçom de umha nova organizaçom do trabalho e a esmagadora hegemonia dos valores do Capital entre @s trabalhadoras e trabalhadores, som factores que dificultam enormemente a atuaçom sindical coerente e consequente.
A camaleónica transformaçom que hoje se está operando sobre a identidade histórica da CIG também tem muito a ver com elementos que sim estám submetidos ao controlo d@s que fazemos parte da central. A linha timorata da direçom é quem conduziu a central à atual prática, aproximando-se cada vez mais às formas de agir do sindicalismo liquidacionista espanhol.

É hora de organizarmos umha corrente que contribua para frear o processo de perda de pluralidade e do deterioramento da democracia interna, para evitarmos que a central siga deslocando-se a práticas conciliadoras enquanto paradoxalmente mantém posiçons aparentemente avançadas; para pararmos a burocratizaçom abafante que impossibilita a participaçom direta da filiaçom na tomada das decisons, evitando que seja substituída por um aparelho funcionarial com necessidades e objetivos alheios aos da classe operária. Há que fazer frente a adulteraçom dos princípios e submetimento às necessidades eleitorais de qualquer partido político para evitar situaçons como a que atualmente provoca a dependência do BNG.

Pola sua parte a CUT, umha década depois da sua constituiçom como cisom da CIG nom atingiu a imensa maioria dos objetivos que perseguia. Embora logrou umha modesta expansom mais alá do núcleo inicial, a linha imposta pola FPG tem dificultado avançar e lograr referencialidade entre mais setores combativos da classe operária desiludidos com a prática da CIG. Atualmente, após a depuraçom a que se viu submetida no IV Congresso (novembro 2009), que reduziu ainda mais a pluralidade na sua composiçom interna, manifesta maior vitalidade e capacidade de iniciativa, mas também umha preocupante incapacidade de mobilizaçom.
No referente a luita nacional e na política de alianças, a política estratégica de pactos com o sindicalismo espanhol de matriz anarquista entra em flagrante contradiçom com as suas corretas críticas ao timoratismo da direçom da CIG.
Porém no seu seio estám integrados setores do proletariado galego mais avançado.

A vontade de resistência que se exprimiu na maciça resposta da classe obreira galega à reforma laboral e ao pacote de medidas neoliberais do PSOE na greve geral de 29 de setembro de 2010 e posteriormente de 27 de janeiro de 2011, é a melhor prova da urgência para, dumha vez por todas, pôr-se maos a obra e organizar, de posiçons revolucionárias, aos setores de trabalhadoras e trabalhadores críticos com o abandono dos princípios históricos do sindicalismo nacional e de classe. Mas também para lograr a incorporaçom de novos métodos de intervençom, de organizaçom e de luita, de reivindicaçons, nalguns casos alheias à cultura hegemónica do sindicalismo galego, e a superaçom das erróneas estrategias interclassistas que tenhem contribuído a esterilizar as enormes potencialidades do sindicalismo galego.


Contexto internacional e nacional
A atual crise do capitalismo a nível mundial é estrutural, prolongada e profunda. Os efeitos já som visíveis entre o conjunto da classe obreira galega. A ofensiva da burguesia a escala internacional contra o mundo do Trabalho traduz-se no corte dos nossos direitos, conquistas e liberdades, na perda de poder aquisitivo e empobrecimento, e na imposiçom de umha mais dura disciplina entre os contingentes operários.
Frente as demagógicas alternativas das diversas variantes do reformismo, dos populismos e das fórmulas mais autoritárias promovidas polas fraçons mais reacionárias da burguesia, a gravidade de umha crise sistémica atravessada por um conjunto de crises paralelas na esfera ecológica, energética e alimentar, deixa cada vez mais claro a impossibilidade de reforma do capitalismo senil.

Porém sem a resistência, organizaçom e luita do proletariado a ofensiva da burguesia irá paulatinamente golpeando na nossa classe com objetivo de submetê-la a umha extenuante derrota que impossibilite em décadas a sua recuperaçom.

Só assim poderemos parar e posteriormente derrotar a incontrolável voracidade de um Capital necessitado de mais sobre-exploraçom da classe trabalhadora, dos povos e das mulheres para manter as formidáveis taxas de ganho e de acumulaçom atingidas nas últimas décadas. A militarizaçom e o controlo social incrementarám-se paralelamente ao aumento da consciência e das resistências populares.

Frente ao caos que se avizinha e deslumbra no horizonte desta crise sistémica agora só há umha alternativa viável, umha saída estratégica possível e favorável ao mundo do Trabalho. Nom vai vir da mao da alternáncia política de maiorias eleitorais das esquerdas complexadas e inofensivas, nem de exercícios rituais de luitas controladas e ordenadas polos velhos sindicatos pactistas e corruptos. Para que a necessária saída política de caráter revolucionário se incline favoravelmente do lado das oprimidas e explorados há que reorganizar o movimento obreiro. Só assim conseguiremos que as explosons sociais, as luitas obreiras, nom fiquem em meras revoltas sem direçom nem orientaçom emancipadora e integral.
A situaçom assemelha umha ola a pressom com mais e mais carga. E do trabalho prévio para avivar no proletariado a sua essência digna e solidária dependerá o sucesso desse estouro cônscio para esnaquiçar a opressom das minorias capitalistas e desideologizadoras, desculturizadoras, e construir um outro país para e por nós próprias.

Grécia marcou qual deve ser o caminho a seguir. Mas o dano provocado no cerne mais profundo da consciência operária pola efémera vitória do imperialismo sobre os modelos que durante décadas fôrom ensaiados em diversas latitudes planetárias ainda é umha lousa com excessivo peso para remexer com facilidade. Vinte anos depois dificultam a penetraçom do sindicalismo de classe integrado em projetos revolucionários, o necessário desmascaramento dos modelos entreguistas e claudicantes que agora de forma oportunista maquilham e repintam de vermelho o seu discurso para evitar ser devorados no ressurgir do fragor da luita de classes.

Galiza tem assistido nos últimos anos a importantes greves operárias em setores estratégicos do nosso proletariado fabril. Porém a imensa totalidade destes conflitos, -que englobárom nalguns casos milhares de trabalhadores e trabalhadoras-, saldárom-se com reveses que, chovendo sobre molhado, tam só vinhérom a aprofundar nas posiçons derrotistas e na extensom da frustraçom que se alimenta do individualismo e o cepticismo, afastando as virtualidades de mudanças colectivas.

Numha errónea e fraudulenta linha sindical que desconfia da classe obreira mobilizada, e teme a democracia obreira, há que procurar as causas da derrota do setor metalúrgico do sul da Galiza e as conseqüências nefastas que isto provocou à hora de inocular derrotismo e a condiçons para a restauraçom das condiçons laborais anteriores a 2007. A burguesia logrou evitar umha vitória num dos núcleos fundamentais da vanguarda proletária galega impedindo assim a extensom do seu exemplo entre outros sectores, facilitando deste jeito a implementaçom sem resistências nem mobilizaçons do pacote de medidas que posteriormente o governo PSOE aprovou com a reforma laboral de Zapatero.

A imponente demostraçom da jornada de greve geral de 29 de setembro, e em menor medida a de 27 de janeiro de 2011, é a prova de que a classe obreira nom está nem muito menos derrotada. Ainda apesar do enorme descrédito das organizaçons convocantes, principalmente de CCOO e UGT, mas também em menor medida da CIG, a greve geral obtivo um maciço seguimento e deve ser aproveitado para superar o modelo sindical conciliador e antidemocrático estimulando umha alternativa revolucionária e assemblear.

A proletarizaçom que a morfologia de classes galega vem experimentando na última década, após o traumático desmantelamento do setor primário derivada das políticas impostas polo imperialismo, facilita objetivamente a necessária reorganizaçom operária, mas nom garante a vertebraçom de um novo referente de luita e combate com projeçom de massas entre os novos setores juvenis que em condiçons estremadamente precárias se venhem incorporando ao mundo laboral.

Para o sucesso das luitas há que dar passos firmes na sua coordenaçom a nível supranacional. A luita de classes na suas primeiras fases inicialmente dá-se a escala nacional. A auto-organizaçom da classe obreira galega em forças próprias é um princípio indiscutível, um dos sinais de identidade do sindicalismo nacional. Galiza é umha naçom e portanto na formaçom social galega é onde tem lugar o combate contra o Capital. Mas frente a ofensivas globais as respostas também devem ser globais, adequando-as às caraterísticas e particularidades de cada formaçom social. Historicamente o movimento obreiro nasceu como um movimento internacional e internacionalista. Hoje deve seguir sendo assim.

Sem partirmos da premissa indiscutível de que a crise deve ser exclusivamente paga polo Capital, nom é viável acumular forças combativas que, simultaneamente à abertura de umha nova dinámica de luita, também provoquem a erosom da capacidade de manobra das direcçons pactistas do sindicalismo hegemónico. Quebrá-las é determinante para que o proletariado organizado logre recuperar-se como sujeito histórico da necessária mudança, disputando a hegemonia da dominaçom burguesa.

Crise do sindicalismo. A institucionalizaçom e burocratizaçom do facto sindical
Nom é qualquer novidade afirmar que o processo de transformaçom do regime político do Estado espanhol, para passar de um modelo ditatorial ao atual de democracia formal, se artelhou a través de negociaçons e pactos entre os setores políticos e sociais que apoiavam a ditadura e umha parte da oposiçom antifranquista.

As condiçons sob as que se desenvolvêrom estes pactos fôrom as da ameaça permanente do golpismo militar e as apetitosas ofertas de integraçom no sistema face os setores mais reformistas da oposiçom para que traíssem os seus programas históricos e legitimassem à monarquia herdeira do franquismo. Esta política de pau e cenoura foi a que facilitou um cenário que levou, com os seus altos e baixos, à estabilizaçom dum sistema político que dura até os nossos dias.

No plano sindical, a política de ameaça e conciliaçom frutificou na assinatura dos famosos Pactos da Moncloa. Uns acordos estabelecidos a diferentes níveis entre diversas forças políticas, económicas e sindicais, para pacificar o cenário político-social sobre o que se ia construir o novo sistema político emanado da constituiçom do 1978.

A grandes traços, o acordado nesses pactos foi o desenho dum cenário de pax social no que as forças sindicais implicadas garantiam umha atitude conciliadora e de moderaçom reivindicativa, como foi o estabelecimento do tope de 5% nos incrementos salariais anuais, em troca dum reconhecimento explícito da sua entidade como agentes nas negociaçons coletivas e como interlocutores de primeiro nível com o Estado.

A evoluçom do sistema sindical artelhado nos pactos da Transiçom adquiriu umha dinámica perversa enquanto, em troca do favor da legitimaçom do regime, as forças sindicais que atingírom maior representatividade passárom a receber prebendas e um trato de favor que paulatinamente as foi convertendo, nalguns aspectos, numha extensom do próprio aparelho do Estado.

Os subsídios por representatividade ou as concedidas pola gestom da formaçom profissional fôrom os meios através dos quais o aparelho estatal conseguiu controlar as finanças das grandes centrais sindicais, mesmo daquelas que questionassem a lógica dos Pactos da Moncloa, e o modo em que se favoreceu a esclerotizaçom e burocratizaçom dos seus aparelhos organizativos.

Aliás, as sucessivas traiçons e grandes derrotas do movimento sindical ao longo das décadas de 80 e 90 fôrom modificando a percepçom social da funcionalidade das organizaçons sindicais.
Se ao longo das duas últimas décadas da ditadura o movimento sindical de oposiçom emergia vitorioso de grandes greves e confrontos laborais artelhados na clandestinidade, durante o período democrático o movimento nom fijo mais que recuar na defesa das conquistas estratégicas.

A classe operária, que com anterioridade via ao sindicato como umha ferramenta útil na luita pola conquista de direitos, passou a percebê-lo, no melhor dos casos, como umha trincheira de resistência na que se refugiar para que a derrota fosse o mais leve possível. Mas o realmente terrível nom foi esta mudança na percepçom, senom a mudança na própria dinámica de relacionamento d@s trabalhadores/as com a estrutura sindical.

O modelo de sindicato de luita próprio do período do tardo-franquismo, no qual os operários e operárias participavam para reivindicar melhoras, passou a se converter no sindicato de serviços que basicamente serve para ter cobertura e assessoramento legal, assim como formaçom subsidiada.

A injeçom de dinheiro procedente do Estado, que atingiu umhas dimensons obscenas, favoreceu esta transformaçom ao facilitar a profissionalizaçom até o extremo do aparelho organizativo do sindicato. Deste jeito os sindicatos enchêrom as suas estruturas de liberados, administrativos e pessoal laboral de todo tipo, ao tempo que a participaçom da filiaçom foi reduzida ao mínimo. Construírom-se assim as imensas maquinarias sindicais que hoje conhecemos, nas quais a filiaçom integrada polos trabalhadores e trabalhadoras cumpre o papel de clientes dos serviços que oferece o sindicato. Esta lógica perversa atinge nom só às duas grandes centrais espanholas, UGT e CCOO, senom que também é perceptível na CIG.

A mudança deste modelo resulta extremadamente complexa enquanto quem se beneficia nom é só o patronato, que pode viver com tranquilidade com uns sindicatos completamente amansados, senom as próprias burocracias sindicais que figérom dele o seu meio de vida. Logicamente a continuidade das injeçons maciças de dinheiro dependem da docilidade que mostrem os sindicatos, polo que nom é de estranhar que a adoçom dumha praxe mais combativa tenha dentro da própria burocracia sindical um dos seus principais entraves.

Porém, a própria evoluçom deste modelo sindical mostra onde estám os seus limites e indica quais som as vias para a sua superaçom. A degeneraçom dos sindicatos integrados na lógica sistémica reduz a marchas forçadas a sua legitimidade como representantes da classe operária, umha evoluçom que já foi percebida polo patronato.

Assim, a cada momento agudizam-se os intentos por parte das organizaçons empresariais para restringir as prebendas das organizaçons sindicais integradas no sistema, num movimento acelerado polas limitaçons e cortes económicos derivados da crise económica atual. Nesta lógica é onde há que situar os ataques às centrais sindicais dirigidos pola imprensa da direita e a extrema-direita espanhola e as reivindicaçons das organizaçons patronais para limitar o alcance da cobertura dos convénios coletivos, um autêntico míssil dirigido a minar a capacidade de pressom das grandes centrais.

Neste contexto dam-se as condiçons favoráveis para possibilitar dar um golpe de leme que corrija as derivas burocratistas das centrais onde trabalha a nossa corrente, porém nom se trata dum trabalho para nada fácil. As inércias de décadas e as resistências de centos de pessoas que tenhem na atividade sindical burocrática a sua fonte de subsistência apresentam umhas dificuldades evidentes para a correçom.

Umha necessária caracterizaçom do Movimento Obreiro Galego
O processo de conformaçom do movimento obreiro galego é longo e demorado, respondendo às condiçons objetivas da classe operária no nosso País. Umha classe numericamente reduzida que só pode favorecer umhas condiçons para criar um movimento sindical enquanto atinge uns mínimos de expansom, situaçom que na Galiza nom se produz até a última década do XIX.

Se bem é certo que nom podemos falar de um Movimento Operário Galego, isto é, que assuma conscientemente a realidade nacional galega, até o último quartel do século XX, o certo é que a particularidade da situaçom socioeconómica da Galiza como área periférica no desenvolvimento capitalista caraterizou com traços particulares o movimento operário do País desde as suas primeiras etapas. Mas nom seria até a década de 70 ‒no contexto de umha dura crise económica e no meio de umha espiral de continuados conflitos laborais que golpeiam umha e outra vez a um regime ditatorial ferido de morte‒ na que germolariam as primeiras expressons do Movimento Operário Galego, que por vez primeira assumirá de um jeito consciente as particularidades nacionais da formaçom social galega.

Assistimos a um momento crucial na história do sindicalismo galego. O setor que hoje detenta a maioria aritmética nos organismos de direçom da CIG, acelerou e intensificou a liquidaçom de toda umha trajetória de combatividade, de sindicalismo de classe, de democracia obreira, organizado por trabalhadoras e trabalhadores galeg@s para Galiza.

A CIG está imersa em um processo de burocratizaçom e institucionalizaçom, que tem provocado o abandono gradual da prática da açom sindical de rua para mimetizar-se com a prática dos sindicatos oficiais.
A burocratizaçom é um fenómeno estrutural que afeta ao movimento sindical a escala mundial. Sem deixar de reconhecer as bases objetivas de tal processo, que principalmente descansam sobre as mudanças sofridas na realidade do capitalismo que sofremos e sobre a institucionalizaçom da atividade dos sindicatos, especialmente relevante no Estado espanhol, também devemos assinalar as enormes responsabilidades de quem detenta a direçom da central.

A cooptaçom da CIG polo jogo institucional, parelho ao abandono dos seus sinais de identidade históricos, é hoje mais evidente do que nunca e responde a umha decisom política de abandonar definitivamente o perfil do sindicalismo nascido em chaves ruturistas. A aceitaçom fetichista da lógica da negociaçom coletiva entre "agentes sociais", a conversom da central em umha gigantesca assessoria jurídica, os cada vez mais estendidos complexos para superar os limites que nos impom umha legislaçom desenhada contra os interesses obreiros ou o crescente peso do FORGA na estrutura do sindicato, som prova da oportunista adataçom que, ao gosto do Estado e o patronato, estám operando na CIG.
A direçom da CIG está submetendo-se, entregando-se com armas e bagagens, à lógica dos Pactos da Moncloa, com décadas de atraso sobre o tránsito face postulados inofensivos implementado polo sindicalismo espanhol.

O sindicalismo de classe nom pode ser financiado polos inimigos do proletariado e da classe trabalhadora. A autonomia financeira é um princípio indiscutível, é a linha divisória entre dous modelos antagónicos de sindicalismo: o pactista e o classista. Nom só é umha fonte de burocratizaçom, de alimentaçom de corruptas aristocracias obreiras, é também a causa das práticas conciliadoras e pactistas, de direçons sindicais subornadas com astronómicos salários, recursos, privilégios e reconhecimento social polos meios do sistema. É um dos cancros que corrói o sindicalismo, desprestigiando-o entre cada vez maiores setores operários.

O crescimento organizativo do sindicato tem sido acompanhado por umha perda de protagonismo da filiaçom. @ trabalhador/a comprometido com o projeto, foi cedendo espaço à figura d@ liberad@ e d@ delegad@ em horas sindicais, que suplanta a participaçom do conjunto da classe organizada na central por profissionais do sindicato.

É evidente que numha estrutura da magnitude que hoje atingiu a CIG, com mais de sessenta mil filiad@s, seria inviável sem a existência de companheir@s remunerad@s às tarefas, muitas vezes ingratas, do trabalho sindical.

É preciso aproveitar as vantagens de contar com centenas de delegadas e delegados para fortalecer e possibilitar mobilizaçons e as mais diversas iniciativas. O que há que pôr em questom é a ausência de controlo pola filiaçom das funçons d@s liberad@s, das suas práticas antagónicas com as responsabilidades inerentes. O igualitarismo salarial e a rotacom de cargos som mecanismos imprescindíveis para contra-arrestar a burocratizaçom.

Nom é viável construir umha ferramenta operária de organizaçom, luita e mobilizaçom, de combate contra o Capital sem que esta descanse sobre a própria classe. Sem integrar a centenas de homens e mulheres comprometidas na luita polos interesses da nossa classe, para além das particulares e legítimas reivindicaçons concretas do seu posto de trabalho, o sindicalismo acaba sendo um ente alheio à própria classe trabalhadora.

Por parte da direçom do sindicato, nom só nom se promove a implicaçom do conjunto da filiaçom, senom que se aposta pola sua exclusom na orientaçom e tarefas da central, apoiando-se na mansa e obediente rede de liberad@s que, a sua vez, descansa basicamente sobre @s delegad@s, dominando em muitos casos até extremos abafantes os órgaos de direçom. Isto provoca enormes défices democráticos, ao substituir a participaçom da classe operária pola burocracia e, simultaneamente, dificulta elevar o nível de consciência de milhares de trabalhadores e trabalhadoras cuja ligaçom com a CIG se circunscreve a pagarem umha quota, receberem o jornal e participarem esporadicamente em algumha mobilizaçom ou ato, quando som requerid@s.

A classe trabalhadora organizada na CIG tem que ser a espinhal dorsal do projeto, nom pode ser substituída por uma mastodôntica rede de liberad@s, muit@s d@s quais nem procedem do mundo do Trabalho.

O debate político e ideológico foi substituído por umha vulgar e esgotadora batalha entre listas de candidat@s para lograr maiorias e representaçons nos órgaos de direçom. A praticamente nula participaçom da filiaçom e a ausência do mais mínimo interesse polo que se debate, som as notas mais destacadas dos sucessivos processos congressuais, seja federal ou confederal, comarcal ou nacional. Prova deste desleixo pola coerência e açom política é o distanciamento das luitas agrárias que se tem produzido neste último ano por parte das estruturas da organizaçom.

Os enormes recursos financeiros e humanos que se destinam a elaboraçom de interessantes materiais de divulgaçom apodrecem nos estantes dos distintos locais pola inexistência da mais mínima preocupaçom por elevar a formaçom e consciência da filiaçom, que na maioria dos casos, mantém a ligaçom com o sindicato pola assessoria jurídica e os cursos vinculados à formaçom profissional.

A burocracia que detenta a direçom do sindicato, longe de trabalhar para evitá-lo, fomenta-o para assim perpetuar-se no poder mais comodamente.

A pluralidade ideológica do movimento operário foi umha dos seus principais sinais de identidade e garantia do papel decisivo que jogou nas últimas décadas. Hoje a pluralidade ideológica recolhida nos Estatutos é um princípio que nom passa na maioria dos casos de pura retórica.
O controlo que hoje exerce a chamada "maioria sindical" é mais abafante do que nunca. A cisom que dita corrente sofreu entre o IV e o V Congresso que, semelhou, ameaçava a sua hegemonia, foi um espelhismo. As distintas identidades políticas e ideológicas que enriqueciam a CIG, fôrom ficando no caminho, por incapacidade algumhas, cooptadas outras, e também esmagadas polo maquinaria da burocracia que detenta a direçom do sindicato.

A vergonhante passividade mantida frente às medidas neoliberais aplicadas polo PSOE e polo BNG quando governárom a Junta som prova suficiente do submetimento da CIG à lógica e interesses eleitorais do autonomismo.
Durante quatro anos de bipartido a CIG nom passou de emitir comunicados críticos, amagar com mobilizaçons nunca realizadas, promover propostas sem acompanhá-las de pressom social, em definitiva, fogos de artifício, fraudulentos disparos de casquilhos vazios.
Embora houvo questionamentos e iniciativas que prognosticavam um afastamento e até rutura com a política neoliberal e espanholista do governo PSOE-BNG, nunca passou de ser umha manobra de distraçom de umha direçom sindical comprometida organicamente com umhas das forças que conformavam o governo de Tourinho e Quintana.
A CIG nunca apostou por confrontar um governo que considerava amigo, como a UGT e CCOO nom pretendem desgastar o governo espanhol de Zapatero.

Embora nom assinou o pacto social autonómico, sim participou no depreciávell acordo com o PP, BNG, CEG, CCOO e UGT a prol da fusom das caixas de aforro galegas. Este tipo de vergonhentos acordos interclassistas com os inimigos do proletariado e a classe obreira galegas nom só geram confusionismo na nossa classe, exprimem a política pactista de umha direçom que nom acredita na força da nossa classe e na nossa capacidade de emancipaçom.

É mera questom de tempo que a CIG acabe aderindo aos pactos sociais que o BNG ampara.

Ausência de relevo geracional e a escassa participaçom das mulheres em postos de responsabilidade da central, som dous dos problemas mais evidentes provocados pola negativa da direçom da CIG a habilitar necessários espaços de auto-organizaçom para a filiaçom.

Se na década de 70 foi principalmente a juventude operária quem pujo as bases do projeto em que hoje participamos, atualmente constatamos as enormes dificuldades para incorporar a mocidade ao trabalho sindical. A CIG, independentemente das dificuldades objetivas que supom intervir entre um segmento com tam baixa consciência de classe e muito influído por condutas alienantes, segue sem investir os esforços e energias necessárias para organizar a juventude operária no sindicato, como tampouco promove no seu interior a necessária renovaçom de estruturas, promovendo quadros sindicais e responsabilidades entre a juventude atualmente enquadrada no seu seio.

O mesmo acontece com as dificuldades para que as trabalhadoras assumam responsabilidades no interior da CIG. O número de companheiras que a dia de hoje fai parte da direçom do sindicato é claramente inferior a 38% de mulheres filiadas atualmente na CIG. As sucessivas reformas operadas na estrutura organizativa para regular a presença da mulher nos organismos, assim como espaços para a auto-organizaçom feminina, tenhem demonstrado ser claramente insuficientes.